terça-feira, 10 de junho de 2014

Eu não autorizei. E você?



  Eu também não autorizei o uso do nosso suado dinheiro para tamanho espetáculo. Em 2007, mediante tamanha euforia da conquista pela sede da copa, erramos, e erramos mesmo. Não temos condições de aceitar tais condições de vida mediante o gasto de tanto dinheiro, que não veremos recompensa, a não ser cultural e afetiva com a possível vitória do Brasil. Torço por você, minha amada pátria, mas não para a conquista de algo que no cenário contemporâneo brasileiro se tornou fugaz e passageiro, mas para que conquistemos juntos uma vida melhor, com respeito, resignação, misericórdia. De mãos dadas, conseguiremos. Acordem! E percebam o que está por trás dos jogos, lá na entrelinhas, está no sentir, escondido no sentimento de patriotismo. É maior que o interesse. É mais rápido que a sombra. Nos prende por afetos que não podem ser expressos em palavras, são indizíveis, mas que estão aí funcionando. Questionem- se. Gritem. Reflitam. Ainda somos tão jovens, jovens, jovens e o tempo ainda não está perdido.
  Turistas, venham. Venham e percebam como sofremos e permanecemos com sorriso na boca, como uma autopunição coletiva. Sintam que ainda temos muita luta. Não nos julguem, ajudem- nos.
Apelo e súplica de quem tenta entender o que esfregam no meu nariz.
Jéssica Farias Nevôa